EFEITO ROSENHAN - FALHA EM DIAGNÓSTICOS
Publicado em: 22/06/2026EFEITO ROSENHAN – FALHA EM DIAGNÓSTICOS
O Efeito Rosenhan foi um experimento feito pelo psicólogo David Rosenhan em 1973 que detectou falhas nos diagnósticos e revolucionou a psiquiatria. David Rosenhan, professor da Universidade de Stanford, publicou na revista Science o artigo On Being Sane in Insane Places (Sobre ser são em lugares insanos). O estudo ficou conhecido como Efeito Rosenhan e marcou a história da psiquiatria ao revelar como diagnósticos podem influenciar a percepção de médicos, enfermeiros e psicólogos.
O experimento consistia em colocar pessoas saudáveis em hospitais psiquiátricos. Entre 1969 e 1972, Rosenhan e outros sete voluntários se apresentaram em hospitais psiquiátricos dos Estados Unidos relatando apenas ouvir uma voz com três palavras: “golpe”, “vazio” e “oco”. Apesar de agirem normalmente após a internação, quase todos foram diagnosticados com esquizofrenia e permaneceram hospitalizados por dias ou até semanas. O próprio Rosenhan ficou internado por 52 dias.
Embora todos tenham sido finalmente liberados, nenhum deles foi considerado são. A pesquisa denunciava abusos, negligência e a dificuldade dos profissionais em distinguir sanidade de insanidade, enquanto alguns pacientes chegaram a perceber que havia algo errado. O trabalho ganhou repercussão mundial, influenciou o movimento antimanicomial e inspirou a terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III).
Até Hollywood se apropriou da discussão: em 1975, o filme Um Estranho no Ninho, estrelado por Jack Nicholson, conquistou o Oscar um ano depois ao retratar o cotidiano de um hospital psiquiátrico. Jack Nicholson era um criminoso que fingia ter uma doença mental para cumprir sua detenção em um hospital psiquiátrico em vez de na prisão.
POLÊMICAS E REVELAÇÕES POSTERIORES
Alguns anos depois, a jornalista americana Susannah Cahalan, autora de Brain on Fire, investigou o experimento. Susannah Cahalan se interessou pelo tema da psiquiatria por um motivo muito pessoal: há alguns anos ela foi internada em um hospital psiquiátrico após ser diagnosticada com esquizofrenia, mas descobriu-se que ela não sofria desse transtorno. Na verdade, ela sofria de uma doença autoimune rara, um tipo de encefalite ou inflamação no cérebro que apresentava sintomas parecidos com a esquizofrenia.
Em sua pesquisa, revelada em The Great Pretender, ela apontou inconsistências nos relatos de Rosenhan e até possíveis omissões. Um dos voluntários, Harry Lando, descreveu sua internação como positiva e transformadora, mas seu caso não foi incluído no artigo original por não se alinhar à tese crítica de Rosenhan.
Ademais, registros médicos mostraram que Rosenhan teria relatado mais sintomas do que os descritos em seu artigo, incluindo tendências suicidas, o que justificaria sua internação. Apesar das críticas, o impacto do estudo foi inegável. O Efeito Rosenhan se tornou um divisor de águas, lembrando que diagnósticos psiquiátricos são fundamentais, mas não podem substituir a escuta, a empatia e a valorização da individualidade de cada paciente.